domingo, 26 de dezembro de 2010

A última carta

Considerando que estou postando a carta em um blog, devo explicar o motivo do título. Não significa necessariamente que ninguém mais poderá escrever cartas, mas que eu estou encerrando a minha temporada de correspondências virtuais. Vale também como sugestão...
Todo início de ano, as pessoas costumam fazer metas, objetivos, e a minha proposta é simples, na realidade, nada tem de nova. Gostaria que voltássemos com as produções grupais, sinto falta de juntarmos as nossas idéias, e de certa forma, será como tê-las mais perto...
Enfim, espero que concordem, e que arrumem meios para escrevermos juntas. Cheiiiro.



Para: Tamy e Milla :)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

De Cací para Tamy e Nai

Acabooooooooooouuuuuu...
Pelo menos eu acho, a família dela descobriu, aconteceram
várias coisas mas nada veio parar aqui por casa, meus pais nem sabem.
Mas ficou tudo bem por lá, pelo menos até agora.Eu não sei o que fazer.Ela pediu que eu a esquecesse, e que saberia se virar, que era pra não me prejudicar...Essas coisas, mas eu quero o cheirinho dela eu quero a cara de boba que ela faz olhando pro meu sorriso, eu gosto da forma como ela se encaixa aconchegada no meu peito protegida de tudo, eu gosto das curvas dela que eu redesenho com meus dedos, eu quero ela com ciume de mim. Eu não quero perder isso mas também não tenho certeza que eu vou morrer se não tiver... Mais no momento eu sinto que vou.
Bom resumindo é SÓ isso...Preciso de vocês agora mais que nunca pra beber comigo e ouvir meus soluços de choro ,certo ?

domingo, 24 de outubro de 2010

Para Milla e Nai

Tudo por aqui está bem pacato. Poucas e produtivas aulas. O professor vem dar aula de chinela havaiana, os pássaros cantam em nossa janela. O sol matinal não faz arder a pele, dá apenas uma aquecida gostosa de sentir. Aqui a faixa de trânsito é respeitada. Defronte a minha sala tem uma árvore frondosa. Cães e gatos dividem o espaço conosco , brincam e vêm pedir dengo. Paro para pensar o quão é esquisita essa situação, reflito e vejo que esquisito era estudar em uma gaiola de quatro andares em meio a um trânsito caótico, poluição, barulho, stress. Minha qualidade de vida aumentou; no intervalo tem pão de queijo e tapioca quentinha, no almoço tem um feijão gostoso e , apesar desse ambiente aconchegante, as pessoas transitam pelos corredores sem dar ‘bom dia’. Parecem tropas marchando para a guerra. Guerra do conhecimento? Guerra do mercado de trabalho? Sou muito nova para lhes responder. É nessas horas que sinto falta daquela perguntinha que parecia tão banal: “Teti?¹” Essa pergunta que por vezes me fez corar as faces. Parecia ser tão fácil responder o que eu estava pensando; aquilo que eu queria comer, o medo que eu estava sentindo, o sonho da noite passada. Ninguém me pergunta o que eu estou pensando, nem eu, equiparo-me a todos. Estou perdendo a essência ou me adequando ao mundo? Todos têm algo a dizer, mas a maioria das pessoas nunca ouve. Aqui os professores nos ensinam a sermos bons profissionais, mas temos que aprender sozinhos como sermos boas pessoas. E apesar da natureza próxima, soprando-nos um ventinho que dispensa condicionadores de ar, ninguém amolece o coração. Ah, queridas! Ainda insisto em dar ‘bom dia’, em mexer no cabelo da amiga, em chutar os gatos. Ainda insisto em sustentar um oceano no peito.

¹Teti = Significa 'O que você está pensando?', em camillês.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Para Milla e Tamy

Hoje, 17 de outubro (domingo), acordei estranha... Os olhos abriram da mesma forma, os braços espreguiçaram-se como em todos os dias, mas uma alegria inexplicável tomava conta de mim. Meu domingo foi realmente diferente, mais animado do que costuma ser. Não precisei ligar a ’‘TV’’’ para assistir o Faustão, vi alguns amigos, li bons poemas e agora chegando ao fim do dia, lembrei-me de certa carta que estou devendo já faz um tempo...


Meninas, ainda não há conformação que me impeça de ouvir determinadas músicas e lembrar vocês, acho que isso é um bom sinal, ambas continuam sendo a luz dos meus olhos, eu sigo sem saber se o mundo é bom, mas com a certeza de que ele ficou melhor desde que vocês chegaram, com toda essa ‘’malandragem’’, rabiscando o sol que a chuva apagou, feliz em saber que mesmo sem querer eu vejo o mesmo que vocês... Enfim, antes eu pensava ser maluca beleza, mas era só pelo fato de tê-las por perto, hoje não passo de uma maior abandonada. Lamento não podermos conversar diariamente, mas vou indo bem ‘’ sobrevivendo sem um arranhão’’... É estranho ‘’os meus amigos todos estão procurando emprego, voltamos a viver como há dez anos atrás e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas’’ e ‘’somos tão jovens’’ não é? É tão novo nos ver ficando velhas, é tão chato nos ver ficando chatas, é tão triste não nos vermos... O mundo de cores, amores e dores pequenas parece ter ficado preso em um parque de diversão, desses de esquina, desses que ninguém mais gosta de ir... Somos muito crescidas para brincar, muito pequenas para almejar grandes sonhos. A vida agora parece caminhar por um destino sem fim, ou melhor, ainda que finito, sempre nos aparece novos objetivos, estamos sempre andando... Temo que eu corra e quando eu olhe para trás, não as veja mais.

‘’ Virar gente grande é muito chato’’... Eu já nem chamo mais Deus de papai do céu, eu já não brinco de bonecas e até minhas roupas não cabem mais em mim, Nando Reis diria ‘’não vou me adaptar’’ , eu digo, é só fechar os olhos, lembrar das cores, não preciso ser daltônica, basta misturar tudo. Vermelho com branco dará um róseo legal. (Acho que respondi a pergunta final da carta da Tamy) Beijo pra vocês.